CENTENÁRIO DE ZÉ GONZAGA: JOSÉ JANUÁRIO, SEGUNDO SEUS SOBRINHOS E AMIGOS!

No dia 15 de janeiro de 1921 nascia José Januário, o quinto filho de Seu Januário e de Dona Santana, na Fazenda da Caiçara em Exu. A exemplo do pai na vida adulta se tornou um excelente sanfoneiro dos 08 Baixos aos 120 Baixos. Mais ou menos em 1942 foi embora para o Rio de Janeiro a procura de seu irmão Luiz Gonzaga, o futuro Rei do Baião. Seus sobrinhos nos contam um pouco que era seu tio:

Segundo Piloto, seu sobrinho, Zé Gonzaga casou-se em 1951  com Alaide convivendo até 1959. Era uma pessoa alegre, de grandes habilidades e grande sanfoneiro. Um grande sanfoneiro de 08 Baixos. Ele mexia e consertava 08 Baixos e eletrificava também. Ele morava sozinho na rua Maria da Graça. Era uma pessoa alegre. O ambiente e, que Zé Gonzaga chegava sempre tinha muita alegria. Nossa infância foi convivendo com Zé Gonzaga e seus amigos artistas, dentre eles Noca do Acordeom, Zé Calixto, Pedro Sertanejo.

Segundo Rosa Helena, sua sobrinha, Zé Gonzaga era uma pessoa amorosa com os familiares. Não passava um domingo sem vir aqui vê as irmãs. Ele gostava muito das quatro irmãs. Era daquele jeito brincalhão mas tinha um grande chamego com as irmãs e com os sobrinhos também. Ele gostava  de vir aqui todos domingos fazer um forró na varanda da casa antiga de minha tia Chiquinha Gonzaga. Era um festival de forró. Ele sempre trazia sanfoneiros amigos dele, dentre eles Xinoca, e com isso era nossa infância e nossa juventude. Ele gostava de participar de todas as comemorações e casamentos dos sobrinhos e tocava. Ele não veio para a comemoração de Bodas de Ouro de minha mãe. Todo mundo estranhou. Aí depois descobrimos que ele estava doente. Ele não queria preocupar a gente. Mas era um tio legal, animado. Era uma alegria quando ele chegava aqui. Quando ele chegava aí fazia a fila para tomar a benção a ele. Era um barato. Nossa! Tenho muitas saudades dessas épocas.

Segundo Joquinha Gonzaga, seu sobrinho e sanfoneiro, Zé Gonzaga era meu padrinho de batismo. Esse 08 Baixos que tenho aqui é o 08 Baixos que ele deixou e tenho até hoje. E era uma pessoa que me ensinou muito e gostava de vê eu tocar, me admirava muito, me incentivava muito. E muitos anos eu toquei muitos anos no programa dele na Rádio Tupi no final  da década de 60 e 70 e eu era zabumbeiro. Era um programa que ele apresentava todos os domingos e a gravação era nas quartas-feiras. Era uma hora de programa. Eu tocava zabumba, Sérgio no triângulo e ele na sanfona. E a gente ganhava um cachêzinho e ficava feliz. Era da propaganda da Alcatrão São João da Barra e Praianinha. Ele sempre todo final de semana estava no Sítio. Todo domingo duas horas da tarde, ele arrumava o som dele e os instrumentos. A gente tocava a tarde toda e ele era o último a tocar. As nove horas da noite ele tocava para acabar com a festa. Depois ele botava todo mundo para ir embora. Vão seu corno. E todo domingo ele tava lá.. Era na varanda da Chiquinha Gonzaga. Ele não admitia ninguém tocava depois dele. Ele contava muita história, as histórias do sertão. Ele não concordava com a forma dos padrões tratarem os filhos dos moradores. Ele foi um grande artista. Eu considero um grande artista, mas tio Zé se acomodou. Ele tocava naquele trecho Rio, São Paulo, Minas e Espírito Santo. Gravou muitos anos na gravadora Copacabana. Tem muitas hóstias de Zé Gonzaga.

Segundo Tacyo Carvalho, grande amigo da família e que morou na casa de Chiquinha Gonzaga convivendo de perto com os Gonzagas, hoje músico nos enriquece com seu depoimento: Sinto-me honrado em ter convivido na casa dos Gonzagas no Rio de Janeiro, de forma confortável, ressalto nesse momento, depoimentos sabre alguns personagens dessa família na qual fiz parte e tenho o maior respeito, admiração e carisma. Família grande e alegre, família de palavras próximas.  Demostravam por mim,  muito carinho e atenção. Ainda jovem, fui bastante orientado por eles, morei na casa de Chiquinha Gonzaga, lá o  sistema era bruto. Ela dizia que a casa dela não era moita de cachorro mijar.
Padre Fábio Mota, grande defensor da cultura Gonzaguiana, solicitou que eu fizesse um depoimento sobre Ze Gonzaga. Promover o centenário de Zé, é realmente uma gloria na vida de qualquer artista, principalmente ele, que era sem duvidas um talento exemplar. São muitas historias vividas e convividas entre (Ele, Eu e Zuca), tocar triangulo que era meu instrumento, existia também outros que dividiam comigo, o (Val ou Daniel). Veja! São muitas momentos bastante significativos até a data de hoje.
Na madrugada dia 2 de Agosto de 89, tínhamos passado uma noite muita desconfortável, existia uma expectativa, angustia e sofrimento, a parti do dia que Luiz Gonzaga foi internado no Recife, o sitio virou um drama, as irmãs de Luiz sempre foram muito ligadas a ele, e todas moravam em Santa Cruz da Serra. Todos se preocupavam com a saúde delas, tomavam algumas medicações, como remédio de pressão. Nessa na madrugada, bateram no portão, do muro e eu fui atender, pela a voz já sabia que era Zé, e fomos entrando ele estava nervoso, com uma boina portuguesa que tinha e usava na cabeça, camisa pendurada no ombro, Aparecida abriu a porta e Chiquinha aproximou-se perguntando : O que ouvi José!? Zé assim respondeu, o nego Gonzaga morreu, no mesmo momento, ela desmaiou, ficamos tentando acordar, deu um trabalho danado para consolar todas elas. Momento difícil esse, parecia um pesadelo, ficamos imaginando como iriamos passar a noticias para as outras famílias, enfim marcou muita aquele momento delicado e doloroso para Zé Gonzaga e consequentemente para todos os parentes próximos e amigos.
Agradeço a todos os admiradores da obra referente à família Gonzaga, deixo também o meu carinho e gratidão ao Padre Fábio Mota, esse Cearense apaixonado pelo forró.
Abraço fraterno de Tacyo Carvalho

Passados 100 anos de seu nascimento, como fã e admirador dessa família tão especial para o Brasil, gostaria de registrar seu Centenário com depoimentos com pessoas que conviveram direto com o nosso querido REI DA ALEGRIA.
VIVA A FAMÍLIA JANUÁRIO E VIVA NOSSO QUERIDO ZÉ GONZAGA!!!

Fonte:
Piloto Gonzaga: https://youtu.be/KEWXEMINSmU
Rosa Helena: depoimento enviado em áudio
Joquinha Gonzaga: depoimento enviado em áudio
Tacyo Carvalho : depoimento enviado por e-mail.

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